Você sabia que o estresse pode agravar os sintomas do refluxo?




Acidez no suco gástrico pode ser aumentada em decorrência do estresse, potencializando desconfortos. Doença tem controle, veja


O refluxo gastroesofágico está presente na vida das pessoas, de forma geral, já que esse controle é feito por uma válvula, o esfíncter inferior do esôfago, presente no corpo humano. Porém, a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) se dá quando há a saída do ácido do estômago para o esôfago, causando bastante desconforto.


As pessoas que desenvolvem a doença, possuem alterações, seja na própria acidez do suco gástrico; uma hipotonia da válvula, que significa um enfraquecimento muscular dessa estrutura; ou ainda uma hérnia de hiato, entre outras coisas. De acordo com o médico gastroenterologista, Eduardo Grecco, entre os principais sintomas da doenças estão a sensação de queimação retroesternal (boca do estômago), dor, desconforto, pigarro, tosse seca, volta do ácido até a garganta e, em casos extremos e mais graves, engasgos noturnos e dor no peito que simula infarto; e esses sintomas podem, sim, serem agravados com o estresse elevado.


O médico explica que o estresse é uma resposta fisiológica e comportamental normal a algo que aconteceu ou está para acontecer e que provoca sensação de alerta, ameaça, perigo, ou que, de alguma forma, perturba o equilíbrio. Tais reações, apesar de serem normais, se acontecerem em um nível muito alto ou contínuo podem chegar a prejudicar a saúde do ser humano afetando diretamente o humor, a produtividade, os relacionamentos em todas as esferas e a qualidade de vida, em geral.


Conforme Grecco, os sintomas da DRGE podem ser intensificados nas pessoas estressadas, principalmente, por fatores comportamentais como o fato de não manterem bons hábitos alimentares. “A pessoa estressada, geralmente também é ansiosa. Essas pessoas não se alimentam direito, pulam refeições, e isso aumenta a produção de ácido no estômago, é uma correlação muito grande”, afirma ele.


Contudo, o médico ressalta que o estresse não é um gatilho para o desenvolvimento da doença. Para ele, a condição é desencadeada por um conjunto de situações e, não necessariamente, as condições emocionais. Grecco destaca que a DRGE é uma doença comportamental e, por isso, com o estabelecimento de bons hábitos alimentares é possível, na maioria dos casos, atingir o controle e a estabilização, o que também pode ajudar no controle do estresse.


*Tratamento*


“Para controlar o refluxo é fundamental a mudança de hábitos e comportamentos, como se alimentar várias vezes ao dia, evitar refeições noturnas, ter uma boa mastigação. Sem contar as orientações nutricionais que envolvem evitar álcool, café, frituras. Isso também está intimamente ligado ao estresse. Para quem sofre de ansiedade e estresse, é altamente recomendável que também não faça o consumo dessas substâncias”, declara o médico.


Quanto às orientações de tratamento, Grecco explica que é importante a realização de exames específicos como endoscopia, manometria e phmetria, para saber a causa do reflexo e, assim, indicar a forma mais adequada para amenizar os sintomas. Segundo ele, se as causas forem exclusivamente comportamentais, como as agravadas pelo estresse, é possível controlar as crises e desconfortos em um período que varia de 4 a 8 semanas, com a mudança de hábitos. Mas existem casos mais graves, como hipotonia do esfíncter inferior do esôfago; ou ainda a presença de hérnia de hiato, que exigem outros tratamentos.


“Além da parte clínica, que pode ser bem conduzida com teste terapêuticos e utilização de medicamentos como omeprazol e bromoprida, para o casos mais graves hoje temos modalidade endoscópicas: radiofrequência, fundoplicatura por videolaparoscopia ou o Esophyx, dispositivo implantado na região entre estômago e esôfago para a resolução do problema”, completa.



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