Anvisa aprova novo tratamento para Doença do Refluxo

Atualizado: 2 de Dez de 2020

Acaba de chegar ao Brasil um novo tratamento para a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), mal que atinge, segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), 30% da população adulta do Brasil. Aprovado no último mês de outubro pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa), o produto EsophyX é utilizado em um procedimento endoscópico minimamente invasivo e que pode ser a solução para os cerca de 40% de pacientes com DRGE que não obtém resultados satisfatórios com o tratamento medicamentoso.


O dispositivo médico EsophyX, desenvolvido em 2003 pela empresa americana EndoGastric Solutions, é implantado no estômago pelo método TIF, do inglês Transoral Incisionless Funduplication, ou Procedimento Transoral de Funduplicatura. Trata-se de uma técnica que fecha o esfíncter esofagiano inferior, aumentando seu tônus e promovendo assim a melhora de sintomas e reduzindo significativamente os episódios de refluxo gastroesofágico. Amplamente usado nos Estados Unidos (aprovado pelo FDA em 2007) e Europa, o recurso terapêutico já tratou mais de 22 mil pacientes.



A expectativa é que o dispositivo seja uma alternativa de menor risco que a cirurgia convencional e também elimine a necessidade de uso contínuo de medicamentos.


Os estudos clínicos com “follow up” de 3 anos conduzidos pela Endogastric Solutions, fabricante do dispositivo, apontam que 75% dos pacientes ficam livre da medicação(PPIs) e 82% tem a esofagite completamente cicatrizada.


No Brasil, o EsophyX será distribuído com exclusividade pela Top Med. Com 11 anos de mercado e sede em Goiânia, a empresa é pioneira na distribuição de novas tecnologias médicas no Brasil, como o Spatz 3, balão intragástrico ajustável usado em diversos tratamentos contra a obesidade. “Estamos sempre em contato com a comunidade médica nacional e internacional e atentos às mais recentes pesquisas científicas sobre tratamento de diversas doenças que afetam especialmente a população brasileira, como os males da obesidade, patologias cardio respiratórias e cardiovasculares”, explica o diretor e fundador da Top Med, Fernando Goulart.


Quando não tratada, a DRGE compromete em muito a qualidade de vida do paciente. Afeta o sono, agrava doenças pulmonares como pneumonias, bronquites e asma, ocasiona úlcera do esôfago, causa alteração das células da porção final do esôfago, o que pode levar à patologia “Esôfago de Barrett”, que pode evoluir para um câncer de esôfago. Outras complicações da doença também são inflamação das cordas vocais, engasgos frequentes e noturnos e dificuldades para engolir.


Confira a seguir opiniões e avaliações de renomados especialistas no trato de distúrbios gastroesofágicos

sobre a nova técnica médica aprovada pela Anvisa:


“Essa tecnologia recém-incorporada chega para somar ao tratamento da doença do refluxo, que é uma patologia multifatorial e crônica. Uma de suas principais vantagens é o fato dela ser minimamente invasiva, tendo assim menos índices de complicações e sintomas pós-operatórios bem mais leves do que a fundoplicatura convencional.”

Joffre Rezende Neto (CRM-GO 15275 | RQE 10060) - Sócio titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia, membro associado Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva e secretário geral da Sociedade Goiana de Gastroenterologia



“É sim uma ótima indicação para muitos pacientes que iniciaram um tratamento medicamentoso contra a doença do refluxo e não conseguem bons resultados. Sabemos também que muitos pacientes que não toleram o uso de algumas medicações, e sem falar dos efeitos colaterais que podem ocorrer com o seu uso a longo prazo.”

Eduardo Grecco - Coordenador do Serviço e da Residência Médica de Endoscopia da Faculdade de Medicina do ABC-São Paulo e membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED)



“É um procedimento aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) e, agora, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que significa que é um tratamento que já passou por todos os testes e pesquisas clínicas necessários. Trata-se de um tratamento que tem uma vasta experiência fora do Brasil e uma base de pesquisa comprovada, principalmente nos Estados Unidos, onde estudos apontam para uma eficácia tal qual da cirurgia convencional, porém com muito menos riscos de complicações.”

Manoel Galvão Neto, gastroenterologista, cirurgião e professor afiliado de Cirurgia da Faculdade ABC de Medicina

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