O Refluxo é hereditário? Verdade ou mito?

_Médico explica que, apesar de não haver comprovação científica de que doença tenha origem genética, alguns hábitos e comportamentos hereditários podem explicar o porque em algumas famílias ocorrência da doença pode ser mais comum_



É frequente a ocorrência de vários casos de Refluxo Gastroesofágico num mesmo grupo familiar, mas apesar disso, os médicos afirmam que não há, até o momento, nenhuma comprovação científica de que o problema tenha algum fator genético de transmissão. Alguns especialistas alegam que pode haver uma relação com a anatomia do corpo dessas pessoas de uma mesma família, que em geral, são semelhantes, o que pode favorecer a doença, mas isso também não é efetivamente comprovado.


O médico gastroenterologista e endoscopista Felipe Matz Vieira (CRM/RJ 52-78331-5) confirma que aproximadamente um terço das famílias brasileiras registra a incidência de dois ou mais casos da doença de refluxo entre os seus membros. Mas, ele avalia que um fator cultural e ao mesmo tempo hereditário pode explicar o porquê o refluxo pode ser mais frequente em certos grupos familiares, trata-se dos hábitos alimentares. “Existe hoje, por conta de maus hábitos alimentares, um novo grupo de pacientes com refluxo que são aquelas com obesidade crônica e sedentários. Então, percebe-se que os hábitos têm levado a se formar um novo grupo de portadores de refluxo crônico. Porém, normalmente, o tratamento com emagrecimento e a mudança de estilo de vida são suficientes para a cura completa”, explica o médico.


Outro perfil de pacientes portadores do refluxo crônico, segundo o endocrinologista, são os que não têm a obesidade como um dos principais fatores. Segundo o médico, esses pacientes, em sua grande maioria, são pessoas altas, magras e com um certo grau de ansiedade generalizada. “São pacientes cujo refluxo tem causas mais complexas, como um esfíncter esofagiano inferior mais frágil, baixa pressão de contração, ou pacientes com algum tipo de dismotilidade esofagiana. Esses pacientes, como acabam ficando muito dependentes de medicamentos, requerem, não só um tratamento de mudanças de hábitos, mas passam a ter indicação para procedimentos mais avançados, como o TIF (do inglês Transoral Incisionless Funduplication, ou Procedimento Transoral de Funduplicatura), novo procedimento endoscópico que passou a ser usado em 2020 no Brasil, por meio do qual se implanta o dispositivo Esophyx, entre o esôfago e o estômago”, esclarece o especialista.


Mas, apesar desses casos de refluxo que têm uma causa mais complexa, o médico Felipe Matz afirma que a maior parte dos casos da doença tem ligação com maus hábitos alimentares e obesidade. “A gente percebe então, que a maior parte do grupo de pacientes com refluxo, e estamos falando de uma população de 25 milhões de pessoas só no Brasil, tem uma correlação com a obesidade. Então podemos afirmar que os hábitos alimentares são o principal influenciador da doença do refluxo nas estatísticas”, pontua o médico.

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